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  • Amanda Martins

Como escrever diálogos potentes

Updated: Jul 16

Aprenda a usar arquétipos para criar personagens inesquecíveis!





Com escrever melhores tags de diálogo: aprimore seu romance com diálogos inesquecíveis

Você tem uma ideia incrível. Senta-se e escreve aquele super diálogo! No dia seguinte, relê: ritmo monótono, personagens soando iguais, conversas sem vida. Quem nunca teve esse problema?

Há ainda a variante dele. É quando você escreve um único bom diálogo e não é capaz de repetir o sucesso. Frustrante, não? Isso ocorre quando seguimos nossa intuição de leitor. Inconscientemente, repetimos as técnicas de nossos autores favoritos, mas não entendemos como fizemos isso.


Um bom diálogo é um trabalho árduo. Ele ilumina seus personagens, move a trama para frente e desenvolve relacionamentos. (Bronwyn Hemus)

Após extensa leitura sobre o tema, muita paciência e prática, descobri métodos eficientes e notei um salto real na qualidade da minha escrita. E não só: na minha autoconfiança também.

É tão bom fazer algo, sabendo quando, como e por que fazer, não é? Por isso resolvi compartilhar essas dicas com vocês.

A – Menos é mais: preste atenção nos advérbios.

Na maioria das vezes escritores iniciantes tentam expressar as emoções dos personagens usando advérbios (tristemente, cansadamente). Resista a essa tentação. Evite excesso de informações. Considere o exemplo:

“O assassino está vindo”, disse ele nervosamente.

Nesta frase, perceba que informamos o sentimento do personagem duas vezes. Não é preciso. “O assassino está vindo” transmite claramente a mensagem de apreensão à leitora/ leitor. Ao acrescentar o advérbio “nervosamente” o texto perde ritmo, pior, nada acrescenta.

“O assassino está vindo!”, ele disse.

Nesta frase o foco recai sobre o que é dito. O leitor é incentivado a imaginar a tensão do personagem, fortalecendo a conexão com ele.

Um diálogo poderoso deve transmitir emoção pelo que está sendo dito, não pela forma como é dito.


B – Perca o medo do “disse”

Quando comecei a escrever eu pensava que repetir o termo “disse” era sinal de vocabulário pobre. Certo dia fui até a estante e peguei um dos meus livros favoritos, As crônicas de gelo e fogo. Li vários diálogos. Imagine a minha surpresa ao notá-lo lá! Ele mesmo! O nosso amigo “disse” era presença constante.

Como eu não percebi antes?

Estudos apontam que o verbo “disse” é tão comum que passa despercebido ao leitor, como se fosse uma vírgula ou ponto final. Por isso o “disse” é tão útil. Se você escreveu um diálogo potente a última coisa que quer é desviar a atenção dele.


C – Linguagem corporal: preste atenção nela



Conversar não é apenas uma troca de palavras. Explore outras imagens e sentidos. A linguagem corporal, o tom e o volume da fala também transmitem mensagens.

Considere este trecho do livro que estou escrevendo, “Ultramar”:

– Como se atreve a dormir sem minha permissão? – A boca de Crispim endureceu.

– Meu senhor, perdoe-me – Elisa escondeu um bocejo e ajeitou a camisola. – Deixei seu jantar sobre a mesa.

– Isso aqui? – Ele agarrou o prato e o atirou contra o chão. A comida se espalhou sobre o tapete.

Perceba que neste diálogo a descrição de ações permitem a criação de um subtexto. Se fiz bem o dever de casa, você percebeu que Crispim está com raiva e que é um homem violento sem que eu tenha dito literalmente isso.

Em um bom diálogo os sentimentos não devem ser explicitados o tempo todo. Na maioria das vezes eles transparecem por meio de pequenos atos, a contragosto dos personagens.

Quer aprender uma excelente técnica para transformar o “disse” em frases vivas e pujantes?

Experimente seguir estes 4 passos:


1 – No primeiro rascunho use apenas “disse”.

No primeiro rascunho, seja radical: use apenas “disse”. O primeiro esboço de uma cena é sempre um momento de criação. Não dispense sua energia criativa pensando no melhor termo de diálogo: disse, declamou, advertiu, assentiu.

Apenas escreva “ela disse” ou “ele disse” no fim de cada linha de diálogo. Sempre. Mesmo que você ache isso excessivo, faz parte do processo. Sempre que um personagem fala, escreva “disse” ao fim.


2 – Corte a gordura


Muitos e muitos “disse” depois, você finalmente terminou o esboço do seu diálogo. Agora é hora de cortar, cortar, cortar.

Use a função de busca do seu software e procure pela palavra “disse”. Leia cada trecho e apague todos os “disse” que não são absolutamente necessários. Leve essa tarefa a sério: 80 ou 90% do verbo “disse” tem de ir embora.

Deixe apenas aqueles de que a leitora ou o leitor precisam para identificar quem está falando e cuja manutenção adiciona contexto a quem lê. Tudo o mais, jogue no buraco negro.


3 – Acrescente advérbios

É isso mesmo que você leu. Nessa fase você irá identificar a proposta exata de cada “disse” que sobreviveu ao buraco negro e agregará a ela um advérbio correspondente.

Se você deseja expressar que o personagem está tranquilo, escreva “disse tranquilamente”.

Se está nervoso, escreva “disse nervosamente”. Se sua única proposta é identificar que personagem está falando, apenas deixe “ele disse” ou “Fulano disse”.

Faça isso tão rápido quanto puder para manter o ritmo. O trabalho pesado será feito em seguida.

4 – Combine as linhas

Agora vem a parte divertida. Volte ao primeiro “disse + advérbio” que você escreveu e o substitua por uma frase que passe a mensagem pretendida.

Isso requer prática, mas é o coração de um bom diálogo. Você verá que suas marcações de diálogo se tornarão mais interessantes, informativas e atraentes, ao mesmo tempo evitará o excesso de “disse”.

Mas como criar frases criativas para substituir os advérbios?

Vou compartilhar com vocês algumas opções.


# Descrever uma ação.

Descreva o que o personagem está fazendo ou o que está acontecendo ao redor dele.

Pare com isso! – Crispim disse, zangado.

Se torna:

Pare com isso! – Crispim disse. A pancada que deu sobre a mesa quase abafou o som de sua voz.

Outro exemplo, agora cortando o “disse”:

– É uma bebida das colônias espanholas. Chama-se rum – disse Elisa.

– Bebida de escravos! – Disse Crispim, zangado. – Agora se atreve a escolher o que bebo?

Se torna:

– É uma bebida das colônias espanholas. Chama-se rum.Elisa lhe estendeu a taça.

– Bebidas de escravos! – Crispim a olhou com desdém. – Agora se atreve a escolher o que bebo?


# Use o próprio diálogo

Às vezes podemos eliminar marcações de diálogo ajustando o próprio diálogo para que ele execute esta função.

– Um dia desses vou embora e você nunca mais vai me ver! – Elisa se jogou no sofá.

– Adeus – Crispim disse tranquilamente.

Torna-se:

– Adeus! Quer que eu te ajude a fazer as malas?


# Imite o discurso natural.

Discursos naturais são cheios de pausas e hesitações. Você pode manter o “disse” para identificar o personagem, mas adicionar quebras no ritmo das frases.

Exemplo:

Vamos dar uma olhada. Não é tão ruim – disse o médico ao examinar a ferida.

Torna-se:

Vamos dar uma olhada – disse o médico, examinando a ferida. Não é tão ruim.


A imitação é a forma mais sincera…

Um último conselho antes que você experimente por conta própria: essa é uma das partes da escrita em que é mais fácil aprender pelo exemplo.

Pegue os livros de seus autores favoritos, cujos diálogos você admira. Releia as conversas que fizeram você rir alto ou chorar um pouco. Examine como esses autores marcaram o diálogo e adicione essas técnicas à sua própria escrita.

Agora é hora de você praticar.

Boa sorte!


E, para finalizar, eu adoraria saber sua opinião sobre este artigo. Deixe um comentário logo abaixo sobre o que você mais gostou ou alguma dica extra que deseja compartilhar conosco. Todo feedback é bem vindo!


Ultrapasse os obstáculos, especialmente os mentais, e não se esqueça: divirta-se em sua jornada!

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Sobre mim

Amanda Martins é aprendiz de escritora, PhD em história e pós doutora em nerdice. Fez da Bélgica seu segundo lar. Entusiasta da amizade, acredita no poder transformador da jornada.

 

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